A cidade de Florença, na Itália, oferece uma das evidências mais eloquentes da beleza como poder civilizador. Os esforços de pensadores como Marsilio Ficino e Gemistos Plethon para resgatar chaves civilizatórias, associados ao mecenato (ou à capacidade de plasmação) dos Médici e ao talento de uma plêiade de artistas e arquitetos, conferiram à cidade o justo epíteto de "a nova Atenas". O esforço florentino reativou a contribuição que a Grécia legou à humanidade através da arte e de seus cânones de beleza.

Contudo, o retorno aos ideais clássicos não foi uma exclusividade italiana, embora ali tenha se manifestado de forma particularmente concreta. No renascimento literário, a obra de Dante Alighieri encontrou paralelos em Camões (Portugal), Shakespeare (Inglaterra) e Cervantes (Espanha). Nas artes visuais, o movimento brilhou com Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael. No campo do saber e da técnica, testemunhamos as revoluções de Copérnico, Galileu e Gutenberg. Na política, emergiram pensadores como Maquiavel e Thomas More. Por trás de todos esses esforços, um eixo central guiava o Renascimento: o ser humano e o ideal do Humanismo.

Os feitos renascentistas são relativamente recentes. Esse capítulo da história, escrito há poucos séculos, deixou uma lição fundamental para os nossos tempos: uma nova civilização é sempre erguida por seres humanos que trazem e cultivam a beleza dentro de si.

Share this article
The link has been copied!