- Informações Bibliográficas
Caixa de Palavras, Por que você deve ler (e o que ler), José Roberto de Castro Neves
Editora Nova Fronteira, 2023
400 páginas
- Leitura Analítica
O que o livro trata como um todo?
Um livro sobre o prazer da leitura, explorando porque devemos ler e o que ler.
O que exatamente está sendo dito e como?
O livro é estruturado nos cinco motivos pelos quais deveríamos ler: para conhecer a si mesmo, para aprimorar a comunicação, para interpretar melhor o mundo, para entender melhor os outros e a nós mesmos e para guardar valores. Para cada motivo são citados numerosos exemplos de livros que comprovam cada motivo.
Qual é o julgamento que adotamos em relação às teses do livro?
O livro seduz pela metáfora do título, que descreve o livro como uma caixa de palavras. Os 200 livros citados são um passeio pelo que há de mais interessante no mundo dos livros. Em vários momentos, em livros que eu já havia lido para comparar com a opinião do autor, houve uma distância de posicionamentos, o que só enriquece a experiência de ler e olhar com os olhos do outro.
Qual a importância do livro?
Ler sobre a leitura ainda é um prazer e não sei se um dia vai deixar de ser. É um assunto que deve ter o tamanho da quantidade de livros que temos pra ler e dos significados que podemos acessar. Quando lemos, encontramos mais motivos para ler, pois como disse Marcel Proust: “A leitura nos permite descobrir o valor da vida.”
- Excertos
Como a nossa vivência é apenas uma, mas nossas aspirações e ambições por vezes nos levam a outros rumos, a leitura é o caminho para chegar aonde jamais iremos (nesse paradoxo reside uma das mágicas da literatura). Afinal, muitos dos nossos “eus” vivem apenas na nossa imaginação.
A comunicação, como percebemos, pode dar-se de diversas formas. Um olhar, uma piscadela ou um movimento da sobrancelha têm, por vezes, mais poder de expressar o que acontece do que um livro inteiro. Uma imagem ou mesmo um singelo sinal com os dedos também podem transmitir com veemência a mensagem. Entretanto, a palavra, escrita ou falada, se revela como o meio mais preciso para se transmitir uma ideia.
Uma pessoa pedia esmola na rua, segurando na mão um papel no qual se lia: “Cego de nascença.” Um poeta que passava lhe sugeriu que substituísse os dizeres no papel, e escrevesse a seguinte frase: “A primavera vem aí, não a verei.” Com a mudança do texto, o cego passou a receber moedas sem parar…
Com razão, diz-se que a interpretação cria o texto.
Engana-se quem acha que essa literatura serve apenas para escapar da realidade. Bem vistas as coisas, ela transforma a realidade e ensina a encará-la de forma mais leve.