1. Informações Bibliográficas

Giovanni Reale: convite ao pensamento antigo, Vincenzo Cicero (organizador)

Editora Loyola, 2018

112 páginas

  1. Leitura Analítica

O que o livro trata como um todo?

O livro é uma homenagem, através de uma entrevista, feita ao pensador italiano Giovanni Reale.  

O que exatamente está sendo dito e como?

A entrevista é conduzida por Vincenzo Cícero, que organiza os capítulos da obra em torno de assuntos como a biografia, as conquistas e o impacto do trabalho de Reale. O principal assunto é a valorização da sabedoria dos antigos defendida pelo entrevistado, com foco no aprofundamento da mensagem platônica. 

Qual é o julgamento que adotamos em relação às teses do livro?

A proposta de uma nova interpretação de Platão a partir dos ensinamentos não escritos é uma forma de valorizar a sabedoria dos antigos e a sua forma de transmissão de conhecimento. A metáfora da segunda navegação colhida do diálogo platônico Fédon guia a apresentação das ideias e até abre espaço para uma contribuição metafórica do autor que sugere a terceira navegação. Essa contribuição é uma demonstração de um viés que o autor assume para explicar as questões filosóficas, que são coloridas por um certo “cristianismo”. Sabendo enxergar este ponto de vista, que faz a obra perder o caráter universal, as respostas dadas na entrevista nos apresentam uma inegável contribuição para as grandes questões da filosofia atual e de todos os tempos. 

Qual a importância do livro?

Há um anglicismo, serendipidade, que descreve bem o que aconteceu enquanto eu lia este livro. Enquanto achava que encontraria outras gemas, me deparei com jóias bem mais valiosas. A quantidade de questões e reflexões suscitadas refletem a importância e a diferença que uma obra curta, com uma proposta a priori despretensiosa, podem trazer a leitores interessados em conhecer mais do grande mestre Platão.

  1. Excertos
E o ensino é uma maneira de escrever não em pergaminhos de papel, e sim nas almas dos homens, que é a coisa mais difícil, mas também a mais bonita. E, ainda mais que dos livros, o futuro deriva da força da alma dos jovens, os quais - como se disse muito bem - são a luz da vida.
A necessidade de escrita foi provocada de maneira maciça e irreversível pela oralidade dialética, levada às extremas consequências por Sócrates e consagrada por Platão. A mensagem de Sócrates, que tanto impressionava em seus conteúdos e na forma como era transmitida, não podia ser memorizada, fixada de maneira estável, conservada e reutilizada no âmbito da oralidade.
Ainda hoje é esta a marca dos verdadeiros pensadores. Só aquele que é capaz de ver inteiro é o filósofo. Quem não sabe ir além de cada parte, por mais geniais que possam ser os resultados de suas pesquisas, jamais compreenderá a filosofia nem muito menos o sentido fundamental da vida e do universo.
Totalmente diferente era a concepção grega de felicidade, ligada a areté-virtude. A virtude do homem, em sentido grego, é o pleno e perfeito desenvolvimento daquilo que ele é e daquilo pelo qual ele vale. A felicidade não é um ter, mas um modo de ser do homem, que para os Gregos consiste em ter-necessidade-de-pouquíssimo - o que significa: viver em condição de maior proximidade do divino.
Só vê no cosmos (e em todas as coisas) um vazio absoluto quem escavou um vazio absoluto em seu próprio espírito.
Share this article
The link has been copied!