Informações Bibliográficas
Os diários de Dom Pedro II no Egito, Julio Gralha
LVM Editora, 2022
304 páginas
Leitura Analítica
- O que o livro trata como um todo?
O autor compilou as anotações do diário de Dom Pedro II das duas viagens que ele fez ao Egito.
- O que exatamente está sendo dito e como?
São nove capítulos comentando as duas viagens de Dom Pedro II. As anotações do diário do imperador são apresentadas cronologicamente.
- Qual é o julgamento que adotamos em relação às teses do livro?
Ler o diário de outras pessoas raramente é uma leitura interessante (Marco Aurélio e suas Meditações é uma exceção). Além do mais, os comentários do autor do livro aos registros do diário compõem um contraste explícito de linguagem, acentuado pela riqueza formal da linguagem de Dom Pedro e pela informalidade da linguagem do comentarista.
- Qual a importância do livro?
Ler o diário de alguém que já foi o imperador do meu país, por si só, já é um fato a ser considerado. Junta-se a esse critério a afirmação que Dom Pedro II pode ser considerado o primeiro egiptólogo brasileiro. A egiptologia surgiu posteriormente, mas o olhar do imperador para o Egito não foi de turista, mas um cientista devoto e contemplativo. Dom Pedro II, guardadas as devidas proporções e circunstâncias, se alinhou com Napoleão Bonaparte no elogio a esta terra sagrada.
Excertos
D. Pedro II no Egito é mais que um símbolo de um monarca esclarecido ou estudioso, é o de um cientista em busca da origem da nossa Humanidade. E tamanho foi o seu empenho, que seus escritos e fotografias foram reconhecidos como importantes para a história e fazem parte do programa Memória do Mundo da UNESCO.
A aurora— não a de dedos rosados, mas a coroada com todas as pedras preciosas, vem- me acenar adeus das bordas do Nilo e eu saudarei o sol como o escriba real, chamado Anaoua, contemporâneo do Antigo Império (3- 5.000 a.C.): Saúdo a ti quando te elevas sobre a montanha solar sob a forma de Ra e quando tu declinas sob a forma de Ma! Tu percorres os céus e os homens te contemplam e se voltam em tua direção escondendo os rostos!
Caminho celeste que se abre… Seu trabalho é o repouso das mãos dos milhões de infelizes… Sua bravura é um escudo (para os infelizes)… Não conseguimos esculpi- lo na pedra; não é visível nas estátuas em que colocamos a dupla coroa… Não podemos conduzi- lo para o interior dos santuários; não sabemos onde encontrá- lo, não o vemos nunca na pintura de cenas de caça; nenhuma morada consegue contê- lo; nenhum governo em teu coração (na verdade procuramos ainda suas nascentes). Alegrastes a descendência de teus filhos; te rendem homenagem no Sul, teus decretos são permanentes quando declarados servidores do Norte. Ele absorve o pranto de todos os olhos e prodigaliza a abundância de seus bens.