Fiz algumas mudanças por aqui no menu principal para diferenciar os textos que estão sendo publicados. Pode parecer preciosismo demais, mas é bom apresentar as coisas pelos nomes corretos e que eles estejam, de fato, representando aquilo que se propõem. O Diário de Castália acabou se tornando um site para a publicação de textos produzidos sobre os assuntos que me interessam e que acabam me definindo e apresentando. Só que alguns textos expressam a minha opinião sobre algum tema, são textos opinativos, enquanto que outros apenas descrevem e apresentam algum tema objetivamente e de forma imparcial, e é bom saber quando é um e quando é outro.
Um ensaio é um tipo de texto muito bem explicado pela etimologia da palavra que deriva do latim exagium (o ato de pesar) e, mais diretamente, do francês essai, que significa "tentativa" ou "experiência". Um ensaio não é um texto que busca esgotar um assunto, é um texto opinativo. É uma exploração, uma sondagem. O ensaio é um texto pessoal, é o mundo visto pela lente particular do autor. O ensaio pode ser informal ou formal mas é sempre a literatura de reflexão. O gênero foi inaugurado por Michel Montaigne, no livro Os Ensaios, que já foi resenhado aqui.
Já a resenha tem um caráter fundamentalmente utilitário e informativo sobre um tema; é o "resumo da ópera". Enquanto o ensaio é um gênero muito mais íntimo onde é o autor que se expõe, a resenha disseca o tema em questão de forma objetiva e imparcial. No caso da resenha de um livro, serão apresentados as personagens, as informações bibliográficas e informações para apoiar a leitura. Uma resenha é a descrição de um item do cardápio de um restaurante enquanto que um ensaio é uma opinião sobre um item do cardápio.
Descobri que os textos que eu publicava aqui eram destes dois tipos. Para deixar clara a distinção, mudei a exposição do menu principal. Como exemplo, no menu da literatura, as resenhas são dos livros que eu acabei de ler e os ensaios são reflexões geradas a partir das leituras. Nas outras opções do menu, a estrutura é basicamente a mesma.
Acabei descobrindo que escrever sobre os assuntos que compõem o meu cotidiano ajuda muito a pensar com mais clareza e limpa a minha mente; é como um download da carga cognitiva que gera um alívio mental imediato. Essa materialização (mesmo que digital) das ideias que me acompanham é um processo mais lento que o pensamento e acaba tornando o abstrato mais tangível. Parece que escrever ajuda a conduzir as emoções criadas pelos pensamentos e colocar cada coisa no seu lugar.