1. Informações bibliográficas

O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde.

Tradução de João do Rio.

Editora Sétimo Selo, 2025

181 páginas

  1. Leitura Analítica

O que o livro trata como um todo?

O livro é um romance sobre a vida de nobre inglês que passa por uma situação fantástica: quem envelhece é o seu auto retrato enquanto que ele continua belo e jovem. 

O que exatamente está sendo dito e como?

O livro é composto de vinte capítulos relatando uma vida que busca um sentido para ela mesma. A trama se passa na alta sociedade inglesa, niilista, hipócrita e sem sentido. Há três personagens principais: o personagem principal que foi retratado, o artista que pintou o retrato e um amigo muito influente do personagem principal. 

Qual é o julgamento que adotamos em relação às teses do livro?

Muitos consideram o livro um panegírico da vida superficial e materialista, mas não sei se por força do hábito, constantemente o livro me evocava reflexões metafísicas. Não consigo acreditar que o autor fazia um elogio tão bem feito e próprio de um autor maduro maduro e lúcido sobre uma vida baseada em valores transitórios, mesmo que o personagem principal fosse imune a eles. As anotações feitas no livro são a comprovação da necessidade de leis e princípios universais para vencer o tempo e não da persistência do superficial e mundano para atingir a felicidade plena.

Qual a importância do livro?

Concordo com um ponto do livro, que a arte é uma resposta para a vida, que a vida preenchida pela beleza tem mais sentido. Mas me afasto do autor no conceito de arte e de vida. No livro a arte era considerada como uma natureza intocada pelo tempo. No livro, a verdadeira arte faz parte do êxtase sensorial que é a busca de Dorian Gray. Ao mesmo tempo, o autor declara que a arte não pode transformar, mas apenas ser contemplada e desfrutada. O Belo, ou a Arte, acompanha a estória muito de perto, mas não inspira o bom e o verdadeiro, como se espera. Lembrei de C. S. Lewis, lido recentemente: a leitura é ver o mundo pelos olhos de outra pessoa. Desta vez, pela visão de um dândi superficial e sofista, que segue a filosofia de um outro personagem do livro: “curar a alma pelos sentidos e os sentidos por meio da alma”.

  1. Excertos
Tu me estimas menos que ao teu Hermes de marfim ou ao teu Fauno de prata. Hás de apreciá-los sempre. Quanto tempo gostarás de mim? Até aparecer-me a primeira ruga, sem dúvida... Agora sei que quando perdemos os encantos, quaisquer que sejam, perdemos tudo. [...] Tenho ciúmes de tudo aquilo cuja beleza é imperecível. Tenho ciúmes do meu retrato! Por que deverá ele conservar o que eu hei de perder? [...]. Oh! Se pudéssemos mudar! Se esse retrato pudesse envelhecer! Se eu pudesse conservar-me tal como sou!
E a beleza é uma das formas do gênio, a mais alta mesmo, pois não precisa ser explicada; é um dos fatos absolutos do mundo, como o sol, a primavera, ou o reflexo, nas águas sombrias, dessa concha de prata que chamamos a lua; isso não pode ser discutido; é uma soberania de direito divino e os que a possuem são feitos por ela príncipes...
O elogio da loucura atingiu a filosofia, uma filosofia modernizada, cheia de estonteante música do prazer, vestida de fantasia, a túnica maculada de vinho e guarnecida de heras, dançando como uma bacante sobre as colinas da vida e motejando o gordo Sileno pela sua sobriedade. Os fatos fugiam diante dela como as ninfas ariscas.
A alma e o corpo, o corpo e a alma, que mistérios! Há animalidade na alma e o corpo tem os seus momentos de espiritualidade. Os sentidos podem afinar- se e a inteligência, degradar- se. Quem seria capaz de dizer onde cessam as impulsões da carne e onde começam as sugestões psíquicas? Como são limitadas as arbitrárias definições dos psicólogos! E que dificuldade de decidir entre as pretensões das diversas escolas! A alma seria uma sombra reclusa na casa do pecado? Ou o corpo e a alma não seriam realmente senão uma só coisa, como pensava Giordano Bruno? A separação do espírito e da matéria era um mistério, como era também um mistério a união da matéria e do espírito.
Ele estranhava a psicologia superficial que consiste em conceber o eu no homem como uma coisa simples, permanente, digna de confiança e guardando a sua essência. Para ele, o homem era um ser composto de miríades de vidas e miríades de sensações, uma complexa e multiforme criatura que carregava consigo inconcebíveis heranças de dúvidas e paixões e cuja própria carne alimentava a infecção de inauditas moléstias mortais.

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