1. Informações Bibliográficas

Os ensaios, uma seleção. Michel de Montaigne.

Penguim e Companhia das Letras, 2010.

Tradução de Rosa Freire D'Aguiar.

616 páginas.

  1. Leitura Analítica

O que o livro trata como um todo?

O livro é a primeira publicação conhecida do gênero de ensaios. Em uma época de livros religiosos ou quando muito filosóficos, um humanista do renascimento ousou colocar a sua própria opinião sobre os assuntos mais variados. 

O que exatamente está sendo dito e como?

A publicação dos Ensaios de Montaigne consiste de três volumes e um número enorme de ensaios. A edição desta resenha é sobre a seleção feita pela Editora Pinguim dos melhores ensaios.  

Qual é o julgamento que adotamos em relação às teses do livro?

Fiz muitas anotações, mas devo mais ao número elevado de ensaios e assuntos abordados. A diversidade de assuntos não permite uma unidade entre os ensaios e mostram a erudição e a cultura do autor, mesmo em uma época que essa não era uma prática incentivada e comum. 

Está edição da Pinguim abre cada ensaio com uma explicação e contextualização daquele ensaio dentro da obra de Montaigne. Só que várias vezes discordei enfaticamente destes prelúdios. Eram ensaios sobre os ensaios.

Qual a importância do livro?

A unidade que não existe entre os artigos eu não encontrei nem mesmo dentro de vários ensaios. A exposição de pontos de vista sobre um tema não tem nenhum outro objetivo que não seja o de informar sobre o assunto. Não vi uma postura de transmissão de algum mensagem ou pedagogia através dos ensaios. Fiquei pensando se todos os ensaios são assim. O costume com a retórica filosófica de Platão nos faz procurar uma mensagem pedagógica em todo diálogo e reflexão, mas no caso de Montaigne não há esse propósito, só há a erudição.

  1. Excertos
Nossa vida, dizia Pitágoras, assemelha- se à grande e populosa assembleia dos jogos olímpicos. Uns exercitam seus corpos para conquistar a glória nos jogos; outros levam mercadorias para vender, pelo ganho. Há (e não são os piores) os que ali não procurem outro fruto além de olhar como e por que cada coisa se faz; são espectadores da vida dos outros homens, pelas quais hão de julgar e dirigir as deles.
É espantoso que as coisas tenham chegado, em nosso século, ao ponto de a filosofia ser até para as pessoas inteligentes algo vão e fantástico, considerado de nenhuma utilidade e de nenhum valor tanto para a opinião geral como para a prática. Creio que a causa disso são essas sutilezas que ocuparam suas avenidas. É grande erro pintá- la como inacessível às crianças, e de semblante carrancudo, austero e terrível: quem a mascarou com esse falso rosto pálido e medonho? Não há nada mais alegre, mais jovial, divertido, e por pouco não digo galhofeiro. Ela não prega senão a festa e os bons momentos.
Os próprios jogos e exercícios serão uma boa parte do estudo: a corrida, a luta, a música, a dança, a caça, o manejo dos cavalos e das armas. Quero que a boa conduta física e a civilidade social, e a disposição de seu temperamento se moldem passo a passo com o espírito. Não é uma alma que se forma, não é um corpo que se forma, é um homem. Não se deve separá- los. E, como diz Platão, não devemos adestrar um sem o outro, mas conduzi- los juntos, como uma parelha de cavalos atrelados no mesmo timão.
não nascemos para nosso interesse particular, mas para o público
Para quem não orientou, de modo geral, sua vida para certo fim, é impossível organizar seus atos em particular. Para quem não tem na cabeça uma forma do todo, é impossível arrumar os elementos.
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