Informações Bibliográficas
Romeu e Julieta, William Shakespeare
Tradução: Bárbara Heliodora
Editora Nova Fronteira, 2017
127 páginas
Leitura Analítica
- O que o livro trata como um todo?
O livro relata os quatro dias que contam o desfecho trágico da ligação amorosa entre dois jovens de famílias declaradamente inimigas. Apesar de ser visto como um relato amoroso, a estória descreve um ódio geracional e irracional com suas consequências.
- O que exatamente está sendo dito e como?
O livro é uma peça dramatúrgica composta por cinco atos, com várias cenas cada um. Tudo na peça acontece rápido demais e descreve a falência de várias instituições: a ditadura familiar, a hipocrisia dos casamentos arranjados e a isenção e incapacidade da Igreja de lidar com a situação.
- Qual é o julgamento que adotamos em relação às teses do livro?
A idade dos protagonistas já anuncia o tom e a temática dos diálogos das personagens: a absolutização do sentimento, a rebeldia juvenil e a incapacidade de ver além do momento presente. Shakespeare usa esses elementos para ensinar que o amor não é coisa de adolescentes e precisa de um cenário maduro. Mas o principal argumento da peça não é o romance, mas a disputa sociológica e as rixas institucionalizadas que acabam sacrificando inocentes.
- Qual a importância do livro?
É a obra mais conhecida e amada de Shakespeare e por trás dessa aparente “comédia de costumes” estão as consequências, que podem ser trágicas, de ações individuais baseadas no desejo e na irracionalidade. O livro se tornou o arquétipo do amor proibido e da tragédia geracional.
Romeu e Julieta não é uma instrução de como amar; é um alerta sobre os perigos da paixão desenfreada e, mais importante, sobre como a guerra entre as gerações mais velhas acaba matando o futuro (os jovens). É uma obra-prima de ritmo, poesia e entendimento profundo da natureza humana.
Excertos
Duas casas, iguais em seu valor,
Em Verona, que a nossa cena ostenta,
Brigam de novo, com velho rancor,
Pondo guerra civil em mão sangrenta.
Dos fatais ventres desses dois inimigos
Nasce, com má estrela, um par de amantes,
Cuja derrota em trágicos perigos
Com sua morte enterra a luta de antes.
A triste história desse amor marcado
E de seus pais o ódio permanente,
Só com a morte dos filhos terminado,
Por duas horas em cena está presente.
Se tiverem paciência para ouvir-nos,
Havemos de lutar para corrigir-nos.
E violento prazer tem fim violento
E morre no resplendor, qual fogo e pólvora,
Consumido num beijo. O mel mais doce
Repugna pela excesso de delícia,
Que acaba perturbando o apetite.
Modere-se, pro amor poder durar;
A pressa atrasa igual ao devagar.