Informações Bibliográficas

Terra dos Homens, Antoine de Saint-Exupery.

Tradução: Julia da Rosa Simões

Via Leitura, 2015

176 páginas.

Leitura Analítica

O que o livro trata como um todo?

O livro relata, em primeira pessoa, as experiências reais de um piloto pioneiro do correio aéreo (a Aéropostale), voando em rotas perigosas entre a Europa, a África e a América do Sul. 

O que exatamente está sendo dito e como?

É um livro de memórias e reflexões pessoais. As marcas profundas das experiências de uma atividade muito arriscada são detalhadas e ressaltam a camaradagem que se intensifica nestas situações de perigo. 

Qual é o julgamento que adotamos em relação às teses do livro?

A metáfora da viagem é uma rica ilustração da mensagem deste livro. Nesta terra de homens, que vêem o mundo a partir de um avião, o mundo é feito de chegadas e partidas. O piloto, o jardineiro, o beduíno, a criança, buscam não perder o essencial, temos que encontrar o nosso lugar no universo. O livro termina falando que o homem atual não padece da pobreza material, mas do assassinato do Mozart que existe em cada homem. 

Qual a importância do livro?

É um livro que fala de resistência, de resiliência. Ser humano é assumir responsabilidades e lidar com todas as consequências dessa escolha. No final da obra, o autor relata outra grande mazela dos tempos atuais: a realidade acaba matando as vocações e massacra as potencialidades. É necessário despertar o indivíduo comum e fazê-lo enxergar que só nos tornamos humanos quando assumimos nosso papel na construção do mundo.

Excertos

A grandeza de um ofício talvez seja, acima de tudo, unir os homens: o único e verdadeiro luxo é o das relações humanas. [...] Quem trabalha apenas por bens materiais edifica sua própria prisão. Encerra-se, solitário, com suas moedas borralhentas, que não proporcionam nada pelo qual valha a pena viver.
O trabalho forçado reside na enxadada sem sentido, que não liga aquele que a realiza à comunidade dos homens.
Por que odiar? Somos solidários, carregados pelo mesmo planeta, tripulantes do mesmo navio. E apesar de ser bom que civilizações se oponham para favorecer novas sínteses, é monstruoso que elas se destruam entre si.
O mistério é que tenham se tornado aquela pilha de barro. Em que molde terrível teriam passado, marcados como ele por uma máquina de embutir? Um animal envelhecido conserva sua graça. Por que aquele belo barro humano parecia estragado?
O que me atormenta não pode ser sanado pela sopa dos pobres. O que me atormenta não são os buracos, nem as corcundas, nem a feiura. É o Mozart assassinado em cada um desses homens. Somente o espírito, ao soprar sobre o barro, pode criar o Homem.
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